Foto: Guilhrme Brum (PMSM/Divulgação)
Vigílias, orações e a caminhada até a Rua dos Andradas marcaram, na noite de segunda (26) e na madrugada de terça-feira (27), a homenagem aos 242 mortos no incêndio da boate Kiss, 13 anos depois da tragédia.
Santa Maria ganhou mais uma ferramenta para denunciar, de forma anônima, situações de risco em casas noturnas, shows e eventos no Rio Grande do Sul. Criado pelo Coletivo Kiss: que não se repita, o Alerta Kiss funciona como um canal online para registrar problemas como superlotação, ausência de saídas de emergência e falta de equipamentos de combate a incêndio.
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A denúncia pode ser feita pelo site www.kissquenaoserepita.org. No lado superior direito da página, há um botão fixo com o nome “Alerta Kiss – Denuncie Aqui”, que permanece visível mesmo quando o usuário rola o site. Ao clicar, a pessoa é direcionada para um formulário online no qual deve ser detalhado o problema encontrado.
No final do documento, é possível escolher se quer se identificar ou não. Quem opta por informar um contato recebe um número de protocolo, que permite acompanhar o andamento da denúncia junto ao coletivo.

O que precisa ser informado
Para registrar uma denúncia, alguns dados são obrigatórios e servem de base para a análise técnica do caso:
- Nome do estabelecimento
- Cidade
- Tipo de irregularidade
- Descrição do que foi observado
O formulário também permite anexar fotos e vídeos do local denunciado. Esses registros não são obrigatórios, mas podem contribuir para tornar a denúncia mais palpável. O coletivo reconhece, porém, que nem sempre é possível realizar esse tipo de registro em situações reais.
Que tipos de problemas podem ser denunciados?
O Projeto Alerta Kiss recebe denúncias sobre diferentes falhas de segurança, como:
- Superlotação
- Saídas de emergência bloqueadas ou que não existem
- Falta de extintores
- Problemas com alvarás
- Uso de materiais inflamáveis
- Falta ou erro na sinalização de segurança
Cada denúncia passa por uma triagem. As que são consideradas procedentes são encaminhadas aos órgãos responsáveis. O coletivo também mantém diálogo para firmar parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Rio Grande do Sul.

Projeto começa em fase de testes
Neste primeiro momento, o Alerta Kiss funciona por 60 dias em fase experimental, com denúncias limitadas ao território gaúcho. A ideia, segundo o presidente do Coletivo, André Polga, é avaliar como a ferramenta funciona na prática para, no futuro, ampliar o serviço para outros estados e, depois, para todo o Brasil.
— A ideia principal é transformar essa memória em ferramenta de prevenção. Com ela, qualquer cidadão poderá denunciar, de forma anônima, qualquer irregularidade em casas noturnas, shows e eventos – explica Polga.
Lançamento nos 13 anos da tragédia
O lançamento do Projeto Alerta Kiss foi feito na noite de terça-feira (27), na Praça Saldanha Marinho, durante as atividades que lembraram os 13 anos do incêndio.
A apresentação foi feita durante uma mesa composta pela sobrevivente e integrante do Coletivo Kiss: Que Não Se Repita, Luiza Mathias, pela também integrante do coletivo, Mary Pereira,e pelo engenheiro de Segurança do Trabalho e bombeiro civil Rosito Borges.
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